VERBETES:

 Isabel Lustosa

 

 

Henri Plasson, um francês na Corte de D. Pedro I

Publicado em 25/11/2017.

Pouco se conhece sobre o francês Henri Plasson, que viveu no Brasil entre 1816 e 1831. Plasson partiu da Europa, em 24 de agosto de 1816, trazendo em sua companhia um jovem de 18 anos, Ferdinand Denis, filho de uma família amiga. Em 1816, foram restabelecidas oficialmente as relações diplomáticas entre Portugal e França. Plasson e Denis chegaram ao Rio de Janeiro em outubro daquele mesmo ano e ficaram até 12 de março de 1817, quando embarcaram para Salvador. Os empreendimentos tentados pelo francês na Bahia e sempre com a ajuda do jovem Denis fracassaram e este voltou para a Europa no final de 1819. Plasson continuou na Bahia e seu nome aparece em alguns documentos de 1821 como devedor em uma questão envolvendo a compra de escravos para um projeto que pretendeu desenvolver no vale do Jequitinhonha. Durante a guerra da independência, Plasson foi alistado como coronel de milícias ao lado das tropas fieis a d. Pedro I. Henri Plasson veio para o Rio entre o final de 1822 e o começo de 1823.

“Le Courrier du Brésil”, jornal do qual Plasson foi editor, era o terceiro de uma série de jornais publicados em língua francesa no Rio de Janeiro. O primeiro fora “L´Independant” do qual circularam dez números, entre abril e junho de 1827. No mesmo mês de junho de 1827, foi lançado seu sucessor “L´Echo du Amerique du Sud” que durou até março de 1828. Ambos eram impressos na tipografia do também francês, editor do “Jornal do Comercio”, Pierre Plancher-Seignot. Jornais publicados em francês por franceses e que, mesmo tendo inicialmente como público alvo os franceses estabelecidos no Brasil, acabaram se envolvendo nas questões locais.

 Henri Plasson assumiria a direção do “Le Courrier du Brésil  – feuille politique, commerciale et litteraire” lançado no começo de 1828 e que circularia até março de 1830. Com a epígrafe “paix et liberté”, le Courrier era impresso na Rua da Quitanda, 63, tendo como editor responsável R. Ogier. Saía duas vezes por semana, às quartas e aos sábados e tinha quatro páginas. As sessões eram divididas em « Interieur », com as notícias do Brasil, especialmente da Corte do Rio de Janeiro; « Exterieur », reproduzindo artigos de jornais europeus, sobretudo franceses e, alternava as partes finais com sessões que publicavam anúncios comerciais (muito poucos) e o movimento do porto, a entrada e saída de navios. De vez em quando incluía alguma correspondência. Era vendido, como então eram vendidos todos os jornais, através de assinaturas que poderiam ser de dois a cinco meses ou anuais. Dos anunciantes o único regular, que aparece em quase todos os números é a livraria de Sousa e Laemmert.

O jornal de Plasson, “Le Courrier”, se diferencia dos antecessores por ser quase que exclusivamente político, cobrindo, no que dizia respeito à Europa, notícias da França, Inglaterra, Espanha, eventualmente Alemanha e sobretudo Portugal. Lançado durante a guerra que o Brasil travava no sul pela posse da antiga Colônia de Sacramento, a Cisplatina, trazia extenso noticiário sobre o que ali se passava. Acompanhará com atenção as questões relativas ao apresamento de navios franceses e a consequente vinda ao Rio de Janeiro da esquadra do Almirante Roussin para pressionar o império a pagar o que seriam as dívidas relativas às perdas de navios e mercadorias franceses. Le Courrier reproduzia especialmente material publicado nos jornais franceses liberais como o Le Constitutionnel, Le Fígaro, Journal de Debats, Le Courrier de France, La Gazette de Tribunaux, etc. Plasson era um liberal e as críticas que reproduz ou que faz à política francesa tem esse viés. Visam sempre atacar as correntes absolutistas que cercavam o rei Carlos X e fazer o elogio e a valorização dos temas caros aos liberais como a liberdade de imprensa, o respeito à Carta Constitucional e à primazia do Parlamento sobre os outros poderes.

Mas pelo fato de apoiar D. Pedro I, Le Courrier logo seria identificado pela que lhe fazia oposição como um jornal ministerial, ao lado do Jornal do Commercio e do Diário Fluminense. A partir de abril de 1830, o jornal de Plasson passa a ser publicado em português com o nome de “O Moderador” usando, a princípio como subtítulo a referência ao antigo jornal: “Novo Correio do Brasil”. Até 2 de abril de 1831, quando deixou de circular, foram publicados 88 números do “Moderador”.  Nas suas páginas, Plasson enfrentará agora, com muito mais intensidade, a imprensa oposicionista: Astréia, Aurora Fluminense, A Nova Luz Brasileira, O Repúblico, O Tribuno do Povo, O Verdadeiro Patriota, entre outros. Sua argumentação em defesa de d. Pedro e de seu constitucionalismo só foi encerrada pela abdicação no dia 7 de abril de 1831. Plasson acompanhou o Imperador em sua retirada para a Europa, redigindo a bordo do Volage, junto com ele, o documento com que devia ser divulgada ao mundo sua versão dos fatos.

1

Um dos três jornais publicados em francês que circularam no Primeiro Reinado. L’Écho de l’Amerique du Sud, nº 01, 30/06/1827.

Para citar este artigo:
LUSTOSA, Isabel. Henri Plasson, um francês na Corte de D. Pedro I. In Site TRANFOPRESS Brasil, disponível em: <http://transfopressbrasil.franca.unesp.br/verbetes/henri-plasson-um-frances-na-corte-de-d-pedro-i>