VERBETES:

 Vera Maria Chalmers

 

 

Observações sobre La Scure

Publicado em 26/11/2017.
Atualizado em 01/12/2017.

A coleção do jornal, La Scure, no Arquivo Edgard Leuenroth vai do nº1, de 2 de abril de 1910 ao nº15, de 23 de julho de 1910, em formato revista de 22 páginas, em numeração contínua e interrompe no nº15. Do nº 16, de 30 de julho de 1910 em diante até o nº 30, de 5 de novembro de 1910, apresenta formato de jornal com 4 páginas e 7 colunas, com anúncios na última página. A fundação do periódico dá-se no período do 2º exílio no Brasil de Alceste de Ambris, em 1908. A colaboração em forma de cartas tem como destinatário: Alceste de Ambris, o diretor do jornal.

O La Scure propõe-se a ser um jornal aberto à colaboração das variadas tendências do movimento social. O jornal visa um público amplo e não necessariamente politizado, como explica o artigo, “Dalla Capitale Federale”, p. 08, do nº1, assinado por Dibi:

“Perchè Il pubblico sano, composto generalmente da quelle tante persone che vedono, sentono, intuiscono, ma che non sanno esprimere l’intimo convicimento, giustamente pretende dalla Scure quelle vigorose e igieniche scrolatine di polvere e certa razza di persone e di sistemi, che il tempo e la apatia delle cose e degli uomine, a tal uopo capaci, han fatto completamente dimenticare e quase credere non esser piú possibile al meno al nostro elemento coloniale.”¹ (…)

A rubrica, “Discussioni socialisti”, p. 09, anônima, deste mesmo número inicial, abre a discussão aberta no campo socialista. As variadas tendências socialistas são mencionadas pelo articulista, mas adverte sobre a ética da polêmica, a qual não deve ultrapassar o bom senso:

“In questa rubrica aperta alla collaborazione di tutti, verrano inseriti gli scritti di quanti vogliono esporre le proprie idee intorno al momento sociale, condue reservi: 1º che portino ragione e non diatribe – 2º che si contengono nei limiti consentiti dall’esiguo spazio di usi il periodico puo disporre. Tenuto conto di questo, ognuno potrei dire quello che crede giusto, senza che La Scure si faccia lecito di menonrare in qualsiasi forma la libertá dei collaboratori, a qualunque partito o scuola appartengono, daí radicali agli anarchici.”²

O periódico gira em torno dos acontecimentos políticos e sociais na Itália e restringe sua visão da sociedade brasileira e de seus conflitos de classe às questões internacionais e da colônia italiana.

Capa La Scure

Capa do La Scure, ano 1, nº 02, 23 de abril de 1910.

Notas:

1 “Porque para o público sadio, composto daqueles que veem, sentem, intuem, mas não sabem exprimir sua íntima convicção, justamente pretende o La Scure aquele vigoroso e higiênico rastro de pólvora e certa raça de pessoas e de sistema” (…).

2 “Nesta rubrica aberta à colaboração de todos, virão inseridos todos os escritos de quantos queiram expor as próprias ideias entorno do momento social, com duas reservas: 1º que tragam reflexão e não diatribe – 2º que se atenham ao limite consentido pelo exíguo espaço de uso de que o periódico dispõe. Tendo em conta tudo  isso, todos podem dizer o que julgam justo, sem que La Scure tolha qualquer forma de liberdade dos colaboradores, de qualquer partido, dos radicais aos anarquistas.”

 

Bibliografia recomendada: TRENTO, Angelo. Imprensa italiana no Brasil. Séculos XIX e XX. São Carlos, Edufscar, 2013.

Para citar este artigo:
CHALMERS, Vera. Observações sobre La Scure. In Site TRANFOPRESS Brasil, disponível em: <http://transfopressbrasil.franca.unesp.br/verbetes/observacoes-sobre-la-scure>