VERBETES:

 Tania Regina de Luca

 

Le Gil-Blas e a tradição de impressos em francês no Rio de Janeiro

 

Postado em 09/10/2015

As informações sobre jornais em língua estrangeira publicados no Brasil são raras. Os remanescentes estão em diferentes acervos e raramente encontram-se coleções completas. Por vezes, sabe-se da existência de títulos a partir de menções de memorialistas, anúncios na imprensa ou breves menções em jornais e revistas. Os levantamentos constituem-se em ferramentas muito importantes para os pesquisadores.

No caso da imprensa em língua francesa publicada no Rio de Janeiro, consta-se com o cuidadoso levantamento feito por Gondin da Fonseca no seu Biografia do jornalismo carioca (1808-1908), publicado pela Livraria Quaresma em 1941, que deu conta dos títulos que circularam na Capital entre 1808, data da introdução da imprensa no país, e 1908, quando se comemorou o centenário dos prelos.

O autor valeu-se dos trabalhos feitos pelos que o antecederam, consultou fichas e catálogos da Biblioteca Nacional, além de ter encontrado, na Seção de Manuscritos da instituição, uma preciosa “Relação dos jornais brasileiros publicados de 1808 a 1889” e haver consultado centenas de exemplares para certificar-se de detalhes quando havia divergência em relação às informações sobre determinado título. Gondin alertou para o mal estado de conservação de várias das coleções que consultou e ponderou que se algo não fosse feito só se teria notícias de vários dos periódicos pela listagem que ele organizou.

Os seus esforços constituem-se numa excelente porta de entrada para a questão. Muitos anos depois, mais precisamente em 2007, Letícia Gregório Canelas concluiu sua dissertação de mestrado sobre a comunidade francesa no Rio de Janeiro em meados do século XIX. Para tanto, estabelecer o que circulou em língua francesa na cidade era essencial e a pesquisadora valeu-se dos dados de Fonseca.

Ao voltar à Biblioteca Nacional, vários dos jornais citados não estavam disponíveis, enquanto outros, não arrolados pelo antecessor, foram colocados à disposição dos pesquisadores. O resultado do cotejamento foi expresso numa tabela que englobou todas as informações disponíveis em 2007. Os títulos, ordenados cronologicamente, cobrem o período compreendido entre 1827 e 1889.

As informações indicam a existência de significativa tradição de publicações em francês e evidenciam a especificidade do Le Gil-Blas neste cenário. Durante a sua circulação entre 1877 e 1878, foi o único título redigido em francês e o terceiro de cunho satírico lançado no Rio de Janeiro, tendo sido antecedido por Figaro chroniqueur – jornal critique, comique, satyrique, anedotique, recreatif et amusant, publication anti-politique et anti-scientifique (1859) e Ba-ta-clan: chinoiserie franco-bresilienne (1867-1871).

A seguir, reproduzimos parte da utilíssima tabela organizada por Canelas, relativa ao período compreendido entre 1827 e o momento de circulação do Gil-Blas, tal como foi publicada em O Courrier du Brésil e o conflito entre associações francesas no Rio de Janeiro, capítulo em: VIDA, Laurent; LUCA, Tania Regina de (org.). Franceses no Brasil. Séculos XIX-XX. São Paulo: Unesp, 2009, p. 311-318, com o acréscimo do título por ela estudado e que não foi mencionado na publicação original.

Jornais em língua francesa impressos no Rio de Janeiro entre 1827 e 1878, em ordem cronológica, extraídos de Letícia Canelas. (tabela exibida ao lado)

Para citar este artigo

LUCA, Tania Regina de. Le Gil-Blas e a tradição de impressos em francês no Rio de Janeiro. In: Site TRANSFOPRESS Brasil, disponível em: <http://transfopressbrasil.franca.unesp.br/verbetes/le-gil-blas-impressos-em-frances-no-rio-de-janeiro/>