VERBETES: Teresa Malatian (UNESP)

O jornal Fanfulla (1893)

Criado em 17/6/1893,  o Fanfulla tornou-se  o mais importante jornal em língua italiana, publicado diariamente na cidade de São Paulo desde 1894. Seu nome foi dado em homenagem a Bartolomeo Tito Alon, guerreiro libertário que viveu em Lodi (Itália) no século  XV. Passou por diversas modificações de periodicidade, número de páginas e orientação política, sempre com ampla recepção, a qual lhe garantiu tiragem diária de 15 mil exemplares em 1910, situação notável perante o principal jornal paulista, O Estado de S. Paulo, que editava 20 mil na década de 1920. Chegou a alcançar em 1934 a surpreendente impressão de 40.000 exemplares. Naquela época, a ampliação do público leitor resultava em sua estratégia de propaganda, pois estampava anúncios comerciais tanto em italiano como em português nas suas oito páginas, em grande formato. Foi bastante inovador ao adquirir em 1904 uma rotativa Albert de Frankenthal e quatro linotipos canadenses, avanço tecnológico depois adotado pela grande imprensa brasileira.

Entre as modificações importantes de sua trajetória, passou a ser publicado em português desde 31/8/1941 para atender às determinações legais sobre publicações em língua estrangeira no Brasil. Deixou de circular em 29/1/1942, no contexto  do posicionamento do Brasil em relação à Segunda Guerra Mundial e voltou a ser publicado diariamente em italiano em 05/5/1947. Em 1966 se tornou semanal como La Settimana, nome alterado em 1979 para La Settimana del Fanfulla; em 2001 voltou a ser Fanfulla e em 2011 passou a ser quinzenal. Atualmente se apresenta como “O jornal dos italianos no Brasil desde 1893”, e reivindica em epígrafe  a continuidade da publicação centenária.

Seu fundador e primeiro diretor, o jornalista italiano Vitalino Rotellini, havia passado  pela redação dos jornais peninsulares Messagero e L’Aquila Latina. Em 1924, o jornal  tornou-se propriedade da sociedade Fanfulla Limitada, dirigido por  Vezio Forelli e  Augusto Goeta. Inicialmente de caráter  humorístico, o Fanfulla passou a engajar-se em campanhas em defesa dos imigrantes italianos radicados no Brasil. Nele havia seções de política, cultura, variedades e esportes. Não adotava uma linha política específica antes da era Mussolini, nem militava junto ao movimento operário, embora defendesse o trabalhador imigrante. Com a virada política na Itália passou a apoiar  o fascismo, de que se  tornou um dos principais divulgadores no Brasil, graças à ampla circulação de suas edições na capital e no interior do Estado, onde havia grande contingente populacional de origem italiana. Procurava atingir um largo espectro social, notadamente os residentes nas cidades. Havia então um ambiente propício à difusão do fascismo, uma vez que movimentos diversos nele se inspiravam para propor uma nova sociedade de base corporativista e um  Estado “forte” para superar as mazelas do capitalismo liberal na chamada “terceira via”.

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Para citar este artigo:
MALATIAN, Teresa. O jornal Fanfulla. In Site TRANFOPRESS Brasil, disponível em:                                                        https://transfopressbrasil.franca.unesp.br/verbetes/fanfulla/